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SEM MARCOS, O FUTEBOL FICA MAIS CHATO

por Rafael Antonio

Todos sabem a minha preferência pelo Sport Clube Corinthians Paulista, mas é inevitável a minha tristeza durante esta semana, afinal de contas, Marcos “pendurou as luvas e chuteiras”. Marcos Roberto Silveira Reis, São Marcos ou simplesmente Marcão, nascido em Oriente, transcende camisa ou paixão clubistica. Seu exemplo chega a ser enigmático, num futebol onde hoje os jogadores não possuem mais identidade com os clubes, Marcos é exceção a regra.

Ainda menino, Marcos deixou a pequena Oriente, origem que sempre fez questão de frizar, e foi se aventurar no Clube Atlético Lençoense. Ali ficou por pouco tempo. Em 1992, desembarcou na Capital, mais precisamente no Palestra Itália para dali não sair mais. Em quase 20 anos de Verdão, Marcão fez o palmeirense sorrir, chorar, se emocionar. Coisa de família, que hoje quase não se vê no atual futebol mercantilista.

Marcos não só fará falta ao torcedor palmeirense, mas também a imprensa e ao futebol em si. Numa época em que as entrevistas coletivas e o trabalho dos assessores de imprensa pasteurizam cada vez mais o futebol, era delicioso ouvir as declarações do goleiro. Sem blindagem, Marcão falava o que sentia, o que verdadeiramente tinha que falar. Suas declarações polêmicas, contundentes, poderiam até desagradar alguns, mas com certeza sempre acrescentavam. Sua irreverência e carisma cativou não só a torcida palmeirense, que o admirou e idolatrou ao longo dos 20 anos de clube. Ele conseguiu algo inimaginável nos dias de hoje que é a admiração das outras torcidas. Embora tenha sido um dos maiores carrascos da história do Corinthians ao defender o pênalti batido por Marcelinho na Libertadores de 2000, Marcão era admirado pelos corintianos.

Em 2003, Marcos poderia ter deixado o verdão. O time tinha acabado de ser rebaixado para a Série B do Brasileiro e ele tinha recebido uma proposta tentadora do Arsenal da Inglaterra. Qualquer um teria topado seguir para a “Terra da Rainha”. Mas Marcos não é qualquer um, é diferenciado no mundo futebolístico. Preferiu permanecer no Brasil e no Palmeiras porque era mais feliz aqui. E aqui ajudou a conduzir o Palmeiras novamente para a elite do futebol brasileiro.

Imagino o quanto foi duro para Marcos tomar a decisão de parar. Quem faz as coisas por amor sente muito mais quando tem que abrir mão do que gosta. Tomara que num futuro bem próximo ele esteja fazendo algo importante no Palmeiras, uma vez que esta foi uma das condições impostas pelo atleta antes da aposentadoria: fazer algo de útil pelo Verdão.

Este é Marcos, que como todo ser humano acerta, erra, tem altos e baixos na vida. Campeão da Libertadores, Campeão do Mundo em 2002, rebaixado com o Palmeiras para a Série B, mas promovido com o verdão para a Série A no ano seguinte. Este é Marcos, um ser humano acima de tudo. Um ídolo do esporte que faz com que a gente ainda se apaixone pelo futebol. É uma pena, que um dia essas pessoas saem do cenário principal. O tempo, os anos, as limitações físicas são cruéis. Perde o Palmeiras, perde o futebol, que com certeza ficará mais chato sem a autenticidade e a humanidade de Marcos nas quatro linhas.


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