Larry Taylor /Foto: Jornada Esportiva

ENTREVISTA DA SEMANA:
LARRY TAYLOR

“Quero jogar até os 40”

O “alienígena” é de outro mundo, de outro país e novamente está nas manchetes dos jornais, sites e microfones de rádios e televisão. Hoje, o norte-americano de Chicago comemora a sua convocação a seleção brasileira de basquete, que disputará o Pré Olímpico, em Mar Del Plata (Argentina), de 30 de agosto a 11 de setembro. Larry ainda aguarda o fechamento do processo de naturalização, mas estará nos treinos da seleção a partir desta segunda-feira (04/07), em São Paulo. Nesta entrevista ao Jornada Esportiva, Larry conta um pouco da surpresa pela convocação, da sua paixão por Bauru e para a alegria de todos os amantes do basquete, já deixou bem claro na entrevista: “Quero jogar pelo menos até os 40 anos de idade”.

Que bom, que poderemos ter mais 10 anos pela frente para acompanhar as fantásticas jogadas, que levantam o ginásio. Com vocês Larry James Taylor Júnior, 30 anos, 1,85m armador, ídolo de uma cidade, figura máxima de um projeto esportivo bem sucedido.

JORNADA:Larry, você imaginava, tempos atrás, quando ainda morava em Chicago, que um dia poderia servir uma seleção nacional de basquete?
LARRY TAYLOR:Nunca imaginei. Eu tento melhorar o meu jogo a cada ano. Os brasileiros gostam do meu jogo e felizmente fui convocado para jogar na seleção. Estou muito feliz por estar convocado ao lado de tantos bons jogadores que também foram chamados e vamos ver o que vai acontecer agora nos treinos.

JORNADA:A sua convocação foi uma surpresa para todos aqui no Brasil. Você também ficou surpreso com a convocação?
LARRY TAYLOR:Eu fiquei surpreso sim. Eu já tinha conversado com o Guerrinha a respeito de leis (referindo-se ao processo de naturalização), até perguntei a ele se ele gostaria de me ver jogando um dia na seleção, mas mesmo assim fiquei muito surpreso quando o meu nome foi lembrado.

JORNADA:Até para as informações ficarem atualizadas, como está o seu processo de naturalização?
LARRY TAYLOR:Ainda estou esperando para ver qual será o próximo passo. A minha parte eu já fiz, que era providenciar os documentos. Agora tenho que aguardar.

JORNADA:A sua convocação aqui no Brasil foi extremamente polêmica. O Oscar Schmidt por exemplo, defendeu a sua presença. Já o Marcel não. Você sente um peso a mais, uma responsabilidade a mais vestir a camisa da seleção, porque vai ter que provar o seu potencial aqueles que não queriam a sua presença?
LARRY TAYLOR:Eu sabia que depois que eu fui convocado teria pessoas que iriam gostar e outras não. Eu não sou brasileiro e as pessoas aqui não estão acostumadas com americano na seleção. Eu não posso pensar muito nessas coisas. O que eu tenho que fazer é o meu jogo e tentar fazer o máximo pelo time e representar o país da melhor maneira possível.

JORNADA:De qualquer maneira você conseguiu uma façanha. Você é um dos poucos estrangeiros na história de vestir a camisa da seleção.
LARRY TAYLOR:É muito legal. Estou muito feliz por ser convocado. Agradeço todas as pessoas que gostam de ver o meu jogo. Eu vou fazer o máximo pelo país.

JORNADA:O pessoal da diretoria do Pinheiros demonstrou pelo twitter uma “certa dor de cotovelo” pela sua convocação e não a do Shamell. Eu sei que você é amigo dele, você chegou a conversar com o Shamell depois da convocação?
LARRY TAYLOR:Shamell é muito meu amigo. Quando eu fui convocado, ele foi uma das primeiras pessoas a me chamar pelo rádio (celular Nextel). Ele me parabenizou. Não sei se ele estava triste por não ter sido lembrado porque ele gostaria muito também de jogar na seleção.

JORNADA:Hoje o grande nome na sua posição no Brasil é o Marcelinho Huertas. De qualquer maneira, você está muito bem no páreo por um lugar na seleção pois quem brigou pela sua convocação foi o próprio Ruben Magnano. Isso te dá uma moral muito grande para permanecer entre os 12 que vão ao Pré Olímpico?
LARRY TAYLOR:Isso é muito bom. O técnico me quer treinando com os outros jogadores da seleção e isso me dá muita moral. Mas eu respeito os outros jogadores que são muito bons também. Todo mundo lá, o Marcelinho Huertas, o Nezinho, Raulzinho e Benite são muitos bons também. Acho que vai ser uma bela competição. Todo mundo tem condição de ficar no time.

JORNADA:Vamos falar um pouco da equipe de Bauru. Eu sei que você teve até outras propostas para sair, mas ficou em Bauru, ganhando o que você ganhava na última temporada. Até por isso você é exemplo na cidade, dentro e fora de quadra, digna de elogios da torcida e até da diretoria. Você adotou realmente Bauru como a sua casa aqui no Brasil?
LARRY TAYLOR:Meu coração está aqui em Bauru. Esse é o meu quarto ano aqui e eu gosto muito daqui. Tenho muitos amigos, gosto do time, do técnico, o time está melhorando, o projeto está melhorando e por isso quero ficar aqui.

JORNADA:Até onde o time pode chegar nesta próxima temporada?
LARRY TAYLOR:A última temporada foi muito boa para a gente. Não acabou como a gente queria. Mas eu acho que esse ano vamos dar mais um passo para frente.

JORNADA:Você está com 30 anos, tem muita “lenha para queimar” ainda. Já passou pela sua cabeça o final da sua carreira. Você pensa em permanecer aqui no Brasil, voltar para os EUA. Bauru faz parte dos seus planos no futuro?
LARRY TAYLOR:Ainda não sei o que vou fazer. Estou com 30 anos e não sei quanto tempo mais vou jogar basquete. Eu quero tentar a jogar até os 40 como o Jason Kid, Steve Nash. Eles estão jogando ainda. Aonde vou morar, essas coisas, vou pensar mais um pouco para frente.

JORNADA: O que mais lhe atrai em Bauru e que te faz permanecer na cidade?
LARRY TAYLOR: Sem dúvida as pessoas. Eu gosto muito do jeito que elas me tratam aqui. Isso é a melhor coisa aqui em Bauru.

JORNADA: Você é de Chicago, jogou no México e na Venezuela. É muito diferente o tratamento das pessoas aqui no Brasil?
LARRY TAYLOR: Alguns lugares tem o mesmo tratamento, em outros é pior. O que é legal aqui é que todos me recebem bem mesmo eu não sendo deste país. As pessoas me tratam como brasileiro.

JORNADA: Para fechar a entrevista, deixe uma mensagem para o torcedor bauruense e para o torcedor brasileiro que vai estar torcendo por você na seleção brasileira em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres.
LARRY TAYLOR: Eu quero ajudar muito o time brasileiro. A toda torcida aqui no Brasil que gosta do meu jogo, quero dizer que vou fazer o meu máximo possível pelo time. Se eu conseguir um lugar no time, vou fazer de tudo para colocar o Brasil nos Jogos Olímpicos.


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